Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013

 

Tenho descoberto na leitura uma noção de vida completamente diferente. Os autores, escritores, sonhadores aperceberam-se da dimensão real da nossa existência e imortalizaram-na de uma forma enigmática, sim, mas sempre profunda.

Sou uma incondicional leitora de Virginia Woolf. Espanta-me a sua capacidade de não-abstracção. O facto de um escritor ter o poder de transfigurar a realidade em realidade é incrível. A sua ficção deixa-nos uma sensação de morte lenta. De culpa pela existência. De necessidade. Mas é tão óbvio que no fim somos todos apenas e fatalmente mortais. Woolf recria-nos e obriga-nos a admitir o erro da Humanidade. Deixa-nos obcecados pela leitura e pela escrita como seriamos obcecados pelo oxigénio se ponderássemos sobre ele.

Em tempos deparei-me com a incrível ideia de reconhecer no Escritor um ser completo. Que não precisa de fama. Apenas “dinheiro e um quarto que seja seu”. Mais real do que isto apenas a vida. Mas essa, a escritora mostra-nos que nem existe. A ideia de escrever sozinho como se não se dependesse do mundo é um fascínio e um Drama. Uma veracidade encantadora e, ao mesmo tempo, de profunda loucura. O que leva estes seres brilhantes à morte? E morrem, de facto? Cem anos depois, Woolf é lida em todo o mundo. Cem anos depois, Woolf recria o mundo e deixa-nos sem fôlego. Cem anos depois, Woolf nunca se suicidou. Então o que a levou à morte? À loucura invisível de quem ouve vozes e se sente a profanar a sanidade mental?

Para mim, Woolf nunca morreu. Não existe nada que a defina para além dela. Virginia Woolf escreveu para a eternidade. 

 

 



publicado por Caty. às 19:13 | link do post | comentar

.Banda Sonora.

MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com
Visitas.
Contador de visitas grátis
Moveis
Março 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

Onde é o Outro?

Maldita Normalidade.

Há dias assim.

"Je cherche mon amour"

"No dia em que fiquei ceg...

A vigilante luz do passad...

Todos.

Ser Vitoriana.

Escrever.

Vagueia...

Arquivo.

Março 2014

Janeiro 2014

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Julho 2012

Abril 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Junho 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

tags

al berto. poesia. prosa. desabafos.

anna karenina. desabafos. literatura. ci

baloiço. ego. desabafo.

cavalo. lusitano. desabafo.

desabafos.

desabafos. admiração.

desabafos. intimismo. eu.

ego. desabafo. gritos.

ego. grito. coragem. desabafo.

ego. saudade.

fado. pensamentos.

gritos.

humildade. justiça. desabafo.

identidade.

intimismo

literatura.

literatura. virginia woolf.

mudança. desabafos. ego. coragem.

pensamentos.

revolução. desabafos. grito. silêncio.

silêncio. ego. paisagem. lá fora.

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds