Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013

Não sei o que é! Confesso que nunca me preocupei em ponderar sobre a ilusão. Talvez seja a idade, o calor da maturidade ou o simples cansaço da infantilidade. Quero sentir tudo e sinto tudo. A intensidade move-me e comove-me. Sou um cristal que chora a realidade de outros enquanto minha. “Sentir tudo de todas as maneiras” segreda-me Campos ao ouvido da consciência. Respondo-lhe que quero ser tudo de todas as maneiras. Ele sabe que sou tão Nada que só o vazio me pode preencher. São as verdades do mundo que me isolam até de mim. Sou de uma tão peculiar e nefasta visão que me aqueço na imagem de um peso morto. Sou uma Garbo que ri na sua impossibilidade deixada sozinha à beira do passeio. Sou, num subtil desaire, uma Woolf suicida. Sou eu, então, naquela comoção dos dias.



publicado por Caty. às 22:29 | link do post | comentar

Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013

 

Tenho descoberto na leitura uma noção de vida completamente diferente. Os autores, escritores, sonhadores aperceberam-se da dimensão real da nossa existência e imortalizaram-na de uma forma enigmática, sim, mas sempre profunda.

Sou uma incondicional leitora de Virginia Woolf. Espanta-me a sua capacidade de não-abstracção. O facto de um escritor ter o poder de transfigurar a realidade em realidade é incrível. A sua ficção deixa-nos uma sensação de morte lenta. De culpa pela existência. De necessidade. Mas é tão óbvio que no fim somos todos apenas e fatalmente mortais. Woolf recria-nos e obriga-nos a admitir o erro da Humanidade. Deixa-nos obcecados pela leitura e pela escrita como seriamos obcecados pelo oxigénio se ponderássemos sobre ele.

Em tempos deparei-me com a incrível ideia de reconhecer no Escritor um ser completo. Que não precisa de fama. Apenas “dinheiro e um quarto que seja seu”. Mais real do que isto apenas a vida. Mas essa, a escritora mostra-nos que nem existe. A ideia de escrever sozinho como se não se dependesse do mundo é um fascínio e um Drama. Uma veracidade encantadora e, ao mesmo tempo, de profunda loucura. O que leva estes seres brilhantes à morte? E morrem, de facto? Cem anos depois, Woolf é lida em todo o mundo. Cem anos depois, Woolf recria o mundo e deixa-nos sem fôlego. Cem anos depois, Woolf nunca se suicidou. Então o que a levou à morte? À loucura invisível de quem ouve vozes e se sente a profanar a sanidade mental?

Para mim, Woolf nunca morreu. Não existe nada que a defina para além dela. Virginia Woolf escreveu para a eternidade. 

 

 



publicado por Caty. às 19:13 | link do post | comentar

Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2013

 

 

Ainda se escreverão cartas? Os poetas da vida talvez conservem a excentricidade do papel. Do envelope rasgado à pressa.

Há pouco tempo deparei-me (confesso que por distração. Um feliz acaso) com o mais recente trabalho de Ursula Doyle: "Cartas de Amor de Grandes Mulheres". Ainda hoje coro à lembrança de uma triste Josefina despedindo-se de Napoleão. Também me emociono ao recordar a tristeza subtil de Catarina de Aragão ao pressentir a sua morte, a sua desgraça. 

Grandes mulheres. Impedidas de concretizar em segundos as emoções da alma dedicaram-se a escrevê-las. 

Delicio-me com a espera a que se sujeitaram os corações. O que as separava dos seus eternos correspondentes eram dias de distância. Não resisto (num ataque poético) a pensar que talvez então o mundo fosse perfeito. Ou, pelo menos, mais contido. Cada palavra trabalhada, sentida, amargurada. Como se fosse um gesto . Um sussurro ao ouvido de quem lê. Tão diferente do agora. 

Quando o silêncio era companheiro, as grandes mulheres escreviam. Imagino-as sentadas, de pena em punho, cultivando a paixão, o desejo, a saudade ou a triste derrota. 

Essas grandes mulheres que, afinal, sempre foram grandes escritoras.


Música: Johann Strauss II - Kuss walzer

publicado por Caty. às 23:28 | link do post | comentar

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